11 fevereiro 2011

“I’m here”, curta do Spike Jonze...


Uma ótima alegoria sobre o amor.

O filme mostra um robô sozinho e melancólico, numa espécie de tristeza que me remeteu aos personagens da Miranda July.

Incomoda pela bizarrice do diferente (que, ainda assim, é tão humano), incomoda pela presença da tristeza, que todo mundo insiste em não sentir no mundo de hoje, incomoda pela sensação de inadequação que o robô sente e que nos remete a inadequação que todos nós sentimos vez ou outra – por mais integrados que sejamos.

Mas logo ele encontra o amor e essa identificação com o robô passa a ser prazerosa, pois reconhecemos algo familiar nele.

E nos dá um certo alívio, pois tal sentimento surge como uma salvação em meio ao nada que parece ser a vida dele.

O robô conhece a mulher robô, se apaixona por ela, sente a necessidade da presença dela.

Então eles vão a um show e em meio a multidão ela perde um braço.

Ele tira o braço dele e dá para ela. Fica sem braço, mas a vê feliz.

Em outra ocasião, ela chega correndo, tropeça no corredor e perde parte da perna.

Ele traz ela para dentro de casa e diz: eu vou te dar minha perna.

E ela diz que não, que não precisa, que ela não está pedindo isso.

Mas ele insiste. E então ela diz: Mas eu não tenho opção?
E ele diz: não.

Achei isso tão emblemático.
É a inexorabilidade do amor.

Não, ela não tem opção, ninguém tem, quando se é amado simplesmente se é.
E amar é justamente dar tudo sem controle de nenhuma das partes.
E ele então dá a perna. E fica sem o braço e agora sem parte da perna – e feliz.

Um dia a mulher robô some e ele descobre que ela está quase morrendo no hospital.

Vai até lá e a encontra sem várias partes do corpo, praticamente morta.

Ele se oferece para doar outras partes do seu corpo, não queria deixar seu amor morrer.
Então os médicos fazem a “cirurgia”, colocam nela tudo o que foi retirado dele e ela fica viva e inteira de novo.

A última cena do filme é a mulher robô saindo do hospital com a cabeça do robô – última parte dele que sobrou – viva e sorrindo no colo.

Não é uma ótima metáfora para o amor?

Amar é: dar tudo, muitas vezes acabar só com a cabeça e ainda assim sorrir.

Um comentário:

Debor@h disse...

Oi Carla querida, super legal o video, mas não estava conseguindo ver no seu blog, tive que buscar no you tube, obrigada pela dica!
Saudades, beijos...
Ps- Ah mudei de blog viu haha www.designndo.blogspot.com